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   As Diferentes Formas de 'Perdas'

        O Serviço Social, profissão interventiva, inserida na divisão sócio-técnica do trabalho, desenvolve ações junto às relações sociais intra familiares, inter familiares, funcionais, organizacionais institucionais, comunitárias, etc., objetivando a concretização dos princípios da liberdade, igualdade e cidadania, em consciência com o projeto ético político profissional.

        As relações sociais, estão repletas de situações em que ocorrem perdas cotidianas, perdas estas que se reportam desde a dificuldade de acesso aos recursos informativos educacionais, sociais, de saúde, econômicos, empregatícios, familiares, até o óbito. Pretende-se levantar algumas reflexões sobre as esferas de perdas uma vez que estas contemplam momentos de crise e obviamente de luto, interferindo na dimensão relacional do ser.

        Segundo Maria do Carmo Brant Carvalho, ''A família, no seu percurso de vida, cria a sua história: uma história com passado, presente e perspectiva de futuro''.

        Na sua dinâmica interna e na sua relação com o meio social mais amplo, a família modifica-se constantemente, modificando por conseqüência esse meio.

        Ela vive um ciclo vital, tem períodos marcados por acontecimentos que lhe são próprios, quase sempre críticos. São eles que vão definir as etapas da evolução familiar. Diante desses acontecimentos, mesmo que sejam ‘’esperados’’, as reações de aceitação e superação são às vezes lentas e problemáticas.

        Do primeiro estágio – quando o casal é jovem, com planos de casamento, filhos e, consequentemente, de conquista de sua independência – até o último estágio – quando o casal torna-se dependente dos filhos – muitos acontecimentos são vividos, mesmo os imprevisíveis: as doenças, as separações, o desemprego, o empobrecimento e a morte.

        A doença, por exemplo, de um de seus membros, quando grave e duradoura, traz múltiplos efeitos sobre o grupo familiar.

        A separação do casal é um evento doloroso e demora, às vezes, bastante tempo para ser elaborado e aceito. A morte é uma quebra radical na dinâmica familiar, produz dor e luto e, por isso, exige tempo para a elaboração da perda e a aceitação de novo arranjo famliar.

        As separações e perdas são parte integrante do ciclo de vida familiar.

        É o casal que perde a vida a dois, para comungá-lá com os filhos. É a perda da criança pequena que dá lugar para o adolescente.

        Mas há rupturas e separações que são vividas de forma traumática. Significam perdas sentidas como falência ou morte da família.

        As separações traumáticas ocorrem em função da morte de um dos seus membros, ou ainda devido a uma relação conflitiva – do casal entre si ou dos pais com os filhos – que terminam em divórcio do casal ou o rompimento das relações de filhos com os pais.

        Quando isso ocorre, é necessário uma nova configuração familiar, um novo arranjo nas relações e nos projetos de vida dos que se separam.

        Esse processo é lento e permeado por sentimentos de frustação, desilusão, depressão, revolta ou culpa.

        É preciso tempo para que pais e filhos elaborem o abandono, a separação e superação da perda.

        Assim como os pais tentam reconstruir suas vidas numa outra perspectiva, os filhos também buscam em outros adultos – da própria família ou fora dela – os vínculos maternais ou paternais dos quais se distanciaram.

        As separações traumáticas exigem uma atenção terapêutica intensiva e um conjunto de apoios diversos, conforme as necessidades apresentadas nessa nova fase da vida em família muitas vezes, o apoio deve ser voltado par a reinserção no mercado de trabalho do cônjuge  que permanece com a guarda dos filhos, ou a complementação da renda familiar em casos de necessidade financeira. Outros apoios procuram resolver necessidades específicas: habitação, mudança de cidade, transferência de escola para os filhos, etc.

        Esses apoios não devem ser oferecidos somente após a separação. De preferência devem anteceder esse acontecimento, no sentido de torná-lo menos traumático.

        As tensões e conflitos nas relações intra familiares são de várias ordens e diversos graus de complexidade, entretanto, todos trazem como seqüelas perdas em várias instâncias, desde aquela que se refere à qualidade de vida familiar, ou a que se refere ao contato entre os membros inerente a participação social mais ampla, até a perda maior que é pela morte.

        Verifica-se assim que o significado de ‘’perda’’ não se refere ao fato do óbito somente, mas também à toda dimensão que envolve o ser humano tanto quanto ser pessoal como profissional e social, ressaltando-se a importância do estabelecimento de mediadas propositivas que facilitem a elaboração das perdas e,  consequentemente a superação do processo de luto que as envolve.

        O profissional de serviço social inserido neste contexto social mais amplo, tem atuado dando assistência e apoio aos familiares no ramo funerário – tanto na área de convênios médicos, como no falecimento.

 

Bibliografia:

Rinaldi, Dori. Afinidade Humana: Algumas reflexões sobre o tema da morte. Revista do S.S. e Sociedade nº51. Cortez SP. 1996

 

Organização Funerária Terra Branca de Bauru

Assistente Social: Tânia Regina Bruno






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